Uma dúvida muito comum com relação ao Fluxo de Caixa se refere à lista das receitas e despesas periódicas da empresa.
Lembrando que o fluxo de caixa nada tem a ver com lucro ou prejuízo (isto é função do Balanço Patrimonial e DRE, serão vistos mais adiante). O FC tem apenas a função de mostrar o saldo de caixa líquido (dinheiro) da empresa em determinado momento, usualmente mês-a-mês. Também é importante dizer que “caixa” aqui pode se referir a vários dispositivos: desde um caixa mesmo até contas bancárias e dinheiro em investimento (sim, a empresa pode e deve investir em aplicações financeiras). Mas sempre é dinheiro líquido. Um bem patrimonial não entra em fluxo de caixa.
Quanto às despesas, é um pouco mais fácil de levantar. Trata-se dos desembolsos comuns a toda empresa: custos fixos (aluguel, IPTU, salários e encargos, fornecedores habituais etc.) e custos variáveis (matéria-prima, combustível etc.).
Sobre tributos, alguns são fixos. IPTU e IPVA, por exemplo. Outros são variáveis, como o I.R., ISS etc.
Custos fixos são aqueles que não variam em função do volume de vendas da empresa. Variáveis são aqueles que se alteram, na proporção das vendas, quanto mais vender, maiores serão os custos variáveis. É importante saber classificar os custos, se fixos ou variáveis.
Já a receita... bem, uma dúvida bem comum é: como vou estimar minhas receitas, já que o FC trata do futuro?
Uma maneira é mais fácil. É quando a empresa faz uma venda. Caso esta venda seja à vista, o valor desta receita é inserida no FC, no mês corrente. Se for a prazo, cada parcela (ou a única parcela) entrará com seu valor em cada mês futuro. Neste caso, sabe-se que haverá esta receita. Não importa se o cliente vai dar ou não um calote, deve-se cadastrar esta receita. Se ele não honrar uma ou mais parcelas, vai se ajustando o FC posteriormente.
Exemplo: a empresa faz uma venda a qual o cliente vai pagar em cinco parcelas de R$ 500,00 a partir de outubro; nos meses de outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro haverá um acréscimo de R$ 500,00 na linha da receita do FC; para ficar mais claro, pode-se abrir uma linha exclusiva para esta receita ou somá-la em uma linha única de receitas.
Outra maneira um pouco mais complicada é a estimativa baseada no mercado. Ou seja, a empresa – além das receitas certas, caso do exemplo acima – deve cadastrar estimativas de receitas para os meses futuros (um ano pelo menos).
CUIDADO! ESTIMATIVA NÃO É UM CHUTE!
A estimativa deve levar em conta os seguintes fatores:
- Histórico dos períodos anteriores e suas tendências.
- As metas e objetivos da empresa, delineados em seu planejamento estratégico.
- Situação da economia do mercado em que atua (está em crescimento, declínio, estagnado?).
- Situação da própria empresa (está em expansão, igual ou em retração?).
- Há alguma movimentação peculiar no mercado? Um novo concorrente entrou, um concorrente fechou as portas, um potencial grande cliente se estabeleceu na região?
- O Governo pode interferir de alguma maneira? Há alguma regulamentação em curso? Alguma possibilidade de isenção ou redução tributária? Ou aumento de carga de tributos (este infelizmente é mais comum em nosso Brasil...)?
Logo, a estimativa de receitas é algo a ser pensado e não simplesmente “chutado”. Claro que estas estimativas quando comparadas com o real serão diferentes, mas se estiver 10 ou 15% de erro, para mais ou para menos, terá sido uma estimativa bem feita.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Receitas e Desembolsos
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